sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vultos


Nem sei o que escrever, minhas palavras trazem tantas consequências.
Já não me sinto parte desse mundo. Eu olho pro lado e vejo tanta coisa que achei que não existia, coisas que ainda não desceram na minha garganta, na verdade vão descendo aos poucos, e nem sei bem o que eu to engolindo, só sei que não me faz bem.

Já ta ficando estranho, o tempo passando e as feridas abertas, as mágoas que não passam, Por que? Eu não sou assim, rancorosa. Penso no que eu poderia fazer pra "me ajudar", quem sabe uma ajuda psicológica? Sinto que poderia ser uma boa ajuda. Não! Não to morrendo de depressão, calma, mas independente dos meus dias indolores, e até dos felizes, apesar dos dias normais, dias nublados sem frio, aqueles sem nada, ou com Sol... Aonde ou como eu esteja, sempre viro a esquina e chego nessa estrada chuvosa, cinza, fria. A parte sombria das lembranças, a parte sombria das pessoas, e sempre a dúvida do que é mesmo feita a vida, afinal, o que é verdade e o que é mentira a essa altura do campeonato? Será que ainda existe verdade?

Não sei... já cheguei a conclusão que é inútil tentar me adequar a realidade... real. Porque na minha realidade as pessoas erram, mas tem um limite. E de novo eu volto a me sentir que nem criança que se perde dos pais, que perde a certeza, o chão e a proteção.

Me vejo gente grande andando em direção ao trabalho, sozinha nessa sala sem ter com quem conversar, com sono por ter virado mais uma noite fazendo trabalho da faculdade, dando pequenos cochilos de 10 segundos e olhando pro sofá na minha frente sem poder deitar nele. Me vejo tendo que lidar com meus problemas sozinha, mais sozinha do que nunca. Me vejo comendo um lanche depois do trabalho sozinha, tocando violão no quarto antes de dormir, sozinha. Fazendo trabalhos de grupo, sozinha. Tendo que decidir tudo sozinha.

Eu sei que tem que ser assim, mas machuca e eu escrevo, e até isso tem sido um problema. Enfim, enquanto a pressão for suficiente pra respirar de cabeça erguida vou seguir, tem tanta coisa boa na minha vida hoje em dia, mas é que meus olhos só conseguem ver vultos.

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