segunda-feira, 5 de março de 2012

Publicidade, criação, frustração

Existe alguma forma de criar com limitações?

Se tem uma situação com a qual eu preciso me acostumar pra não perder os cabelos mais cedo, é a de ver idéias nas quais coloquei todo esforço do mundo sendo deixadas pra trás, pra fazer o arrozcomfeijão/papaimamãe de sempre.

Publicitário, ou melhor, aprendiz de publicitário, só quer pensar grande, e quem pode nos julgar por isso?

Queremos ganhar Cannes, e não fazer cartãozinho de visitas de gráfica de esquina. Sinceramente falando.

Aí estou eu no meu segundo estágio sem conseguir ir pra casa devido o tamanho da frustração em plenas 18h19.
“Vamos Jéssica, chegou a oportunidade de criar algo novo”, “Simbora, cadê sua criatividade?”. Lá vou eu fazer brinstorms, pesquisas, escrever textos, apresentar a idéia e ser cortada nas duas primeiras frases.

Distribuição de rosas na portaria. Slides com foto de paisagem, de bebês e cachoeiras, musica com som de tecladinho de karaokê e fonte ilegível Comic Sans com alguma mensagem motivadora e muito emocionanteZZZZZZZZZzzzzzzzzzzz...

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOO!

Não, sério, não. Não insulte minha capacidade por favor. Por que me pede pra criar afinal, se é pra fazer a coisa mais óbvia do mundo? Ah, já sei, deve ser alguma estratégia de motivação macabra que diga: "Queeeem é você? Uma estagiáriazinha fedendo a leite!" e, assim, me levar a sair batendo porta em porta, de todas as agências dessa Brasília, com o portifólio na mão.

Vou evitar dizer que é culpa do serviço público, afinal já trabalhei em empresa privada e não foi muito diferente. Mas são todos muito quadrados e muito cheios de não me toques, e muito previsíveis. Que que isso?
Pra que me lembrar que só estou doando minhas tardes pelos 500 contos pra pagar a conta das boates e cinemas? Sério. Estou tão mal que até esqueci que o horário de verão acabou e o céu escurece antes das 19h00.

Minha opinião pessoal vale? Não pro mundo, mas pro meu blog talvez (que só eu leio kkkkkk foreveralone feelings). As pessoas tem mania de fazer coisas num padrão que na verdade, na praticazona mesmo, não atinge o objetivo. Vou explicar melhor, a gente diz num cartaz: Não jogue lixo no chão, ajude a preservar a limpeza para manter um ambiente de trabalho agradável a todos :D”, mas sério, quem vai se sensibilizar com isso?

Agora se você vê uma imagem de alguém jogando papéis e cascas de banana no chão da cozinha de casa, juntamente com uma frase: “Você não faz isso em casa, por que fazer no ambiente de trabalho?”. Juro cara, eu pararia pra pensar. (Não, essa idéia não foi minha, e sim da minha amiga de faculdade Camila que é um gênio por sinal).

Queria falar do dia da mulher, mostrando pra cada uma o quanto hoje em dia nós temos que ser guerreiras pra lidar com todaaaas as funções que o mundo espera que exerçamos, trabalhar de salto e tpm, criar filhos, e ainda por cima estar sempre linda e em forma. Queria ressaltar essa força. Mas não. Ao invés disso vamos entregar flores, vamos olhar pra mulher do jeito mais óbvio possível, e vai por mim, vai ser só mais uma flor pra murchar e acabar no lixo do escritório, sem dizer nada.

Enfim, agora é tarde e realmente anoiteceu, eu preciso ir pra casa.
Escrever me fez sentir melhor, ouvida talvez, e por mim já valeu.

Fui! Boa noite!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Só pra constar que eu te leio :p


    E se quem te exige tanto fosse só UM POUCO mais emoção, entenderia o que vc quer passar com o que tem aprendido no seu curso! Juro que te entendo, sou muito emotiva e sentimental tbm! hahaha
    ...mas que eu senti falta daqueeela rosa, ontem, aaah, eu senti, e MUITO! Tô carente kkkkk FO-DA!


    Beijos ;)

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