
Virei as costas e saí, fui caminhando de cabeça baixa com a mão no estômago e um pouco de falta de ar. Sereno, frio, lama, pessoas olhando. É, essas cenas dramáticas de filme já viraram rotina. Cheguei em casa. "Oi gente...", quarto, computador pra ver o que resultou de toda a tarde de conversas e mais conversas das mesmas coisas de sempre, tudo isso tentando ignorar aquele ato que não saía da minha cabeça e me torturava aos poucos. Mais difícil do que não perdoar o ato de alguém, é não se perdoar. Não perdoar a própria fraqueza.
Porque eu precisava ler... li, e agora? Satisfeita? Ta feliz agora? Não, to destruída, não aguento, não vou aguentar meu Deus... Bíblia, o refúgio de todos os momentos de desespero. Banho, choro, água quente caindo na minha frente, cabeça entre as pernas sentada no chão com as costas apoiadas no box, meu Deus... meu Deus... Por que? Pra que? Me desculpa perguntar isso tanto, me desculpa te encher tanto. 5 minutos, 10... A respiração vai se acalmando, os olhos estreitos vão se abrindo, e já não não mais lágrimas e sim a água que sai do chuveiro e molha o rosto. Pronto? Agora é levantar, levanta... Levantei.
Meio que contra a vontade, de pé esfreguei bem o rosto, a maqueagem borrada, o cabelo com água de chuva, peguei a toalha, e um pijama limpinho de mangas cumpridas. Penteei os cabelos, chorando em frente o espelho. O que você quer? O que v-o-c-ê quer? Perguntei olhando meus próprios olhos. E por fim, quando a dor insuportável começou a voltar, peguei o telefone compartilhei o que não cabia em mim mais nenhum segundo. Amigo, nada como as palavras de um bom amigo, metade virou risada rouca de alguém que já não aguentava mais chorar. Obrigada Kaio.
Desliguei cheia de esperança. Mas acima de tudo, consciente de que essas metas radicais libertadoras viram pó facilmente. Não tem problema, eu só precisava de um minuto de paz naquele momento.
Desde o momento que acordei hoje, lutei comigo mesma pra ter o mínimo de otimismo, tentar dar um sorriso pra mesma coisa que vejo todo dia, assim como o aconselhado, e vou caminhar. Vou andando e tentando, e aprendendo, e respirando. Não posso esquecer da minha importância, e da forma mais expressiva de amor que existe e impulsiona o ser humano, o amor próprio.
To tentando achar isso, encontrar esse artigo de luxo que sinceramente nunca tive de verdade. Vamos pra mais um dia, seja o que Deus quiser.
Boa noite!
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