
É que as vezes tenho vontade de quebrar as coisas na minha frente, tenho vontade de gritar, sair correndo e chorando, parando as pessoas e as sacudindo, prendendo-as segurando os seus braços com minhas mãos pequenas, culpando todos.
To tão exausta, de tudo. De toda essa loucura que se tornou minha vida. To tão cansada dessa instabilidade emocional, de nunca saber se to bem ou não. To de saco cheio, de mim, do modo com que as coisas foram se desenrolando. Eu simplesmente não queria ser eu agora, e poder não ter que suportar esse peso nas costas, esse tempo nublado/abafado/insuportável, essa angústia. Queria só ir pra aula, só andar pela rua, só pegar um metrô pra qualquer lugar, APENAS me desligar. Desligar minha mente das conclusões.
Já concluí tudo e mais um pouco do que é a realidade, já posso ir embora. Já posso pegar minhas coisas e enfiar numa mala, voltar pra casa, voltar pra mim. Já chega daquele cheiro impregnado em todo objeto ou lugar que eu passo, no ar. Não existe nada, e o nada é tão pesado, é tão ácido que queima a língua só de falar. E aquela coisa mágica, ela simplsmente não existiu? Então o que foi? O que foi, pra onde foi o que me fazia sorrir pela primeira, ultima, toda vez por dia durante meses esse ano?
O QUE FOI? Me responde!
Eu não posso cobrar nada, não posso nada. Por que é mentira, sabe? Porque foi mentira cada dia, cada minuto que eu me despedia no metrô, descia a escada rolante colocando os fones no ouvido com um sorriso preso, disfarçado.
Aquela coisa toda gostosa de viver... No segundo em que eu saía, chegava algo pra ocupar o espaço reservado à lembrança do dia. À lembrança dos tantos, inúmeros, incontáveis, cinematográficos, gestos e toques, os nossos toques, as nossas coisas de uma simples tarde de terça-feira, ou quarta, ou quinta, ou até domingo. Pra nós não existia domingo.
Enquanto meu coração se enchia de felicidade, de gratidão e agradecimento a Deus pelas coisas boas e bestas que só uma pessoa muito apaixonada pode sentir, acontecia... a verdade. A realidade que não era nada do que eu pensava.
E é isso, é isso, só isso. Apenas. Nada.
Já perdi a conta de quantos "tudos" e "nadas" escrevi nos ultimos incontáveis posts dos ultimos 3 meses, mas esse é o "título" da história: O tudo, é nada.
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