domingo, 31 de outubro de 2010

(In)acreditável

Como em muitas outras manhãs, acordei pensando em como as coisas aconteceram. Como em muitas, mas muitas mesmo, outras manhãs, acordei incrédula.

Talvez daqui a uns 10 anos, eu escreva sobre a minha história, e aí quem sabe alguém poderia entender porque fiz tantos e tantos posts sobre a mesma coisa, sofri tantas e tantas vezes pela mesma pessoa.

São tantas marcas que ficaram, tão profundas; as vezes acho que nunca vai passar, porque por mais que passe, sempre volta e me mostra que na verdade não passou.

Ao mesmo tempo que me sinto um mulherão, uma rocha, por ter passado o que eu passei, por ter aguentado levar tanto chumbo, por ser tão enganada, feita de idiota, feita de fantoche, de fachada, de nada... enquanto me esforçava pra dar o melhor de mim, enquanto abria meu coração, meu corpo e minha alma do jeito mais escancarado de olhos fechados, sorrindo, sem medo, sem pé atrás; me sinto uma criancinha, só querendo colo. Sinto uma vontade daquelas bem egoístas de que tivesse acontecido com qualquer pessoa, mas não comigo. Desse jeito assim, bem dramático e egoísta mesmo. Sinto uma vontade louca de fazer merda, de correr por aí, de me vingar, de ir lá, lá mesmo, e bater, espancar, chorar e gritar pra todo mundo ouvir e se enojar, naõ falar mais, ignorar quem me causou essa dor. Essa marca que não sai, essa merda que deixou sempre um porém na minha felicidade, que me deixou sempre um motivo pra me sentir infeliz, que me impede de me sentir completa.

E aí eu penso, ontem foi tão bom. TÃO BOM. E domingo passado também foi tão bom, como um monte de outros dias bons, que crescem a cada dia que o tempo vai fazendo o trabalho dele de tornar as dores não tão doloridas. Mas aí eu acordo na manhã seguinte com a mesma dor que acordei a 2 meses atrás. E além do incômodo da dor, ainda tem o incômodo de AINDA sentir essa dor. Entende?

Enfim, uma hora chega o enfim. O cansaço. E meio que por falta de opção, volto pra sala pra receber as visitas, volto pro projeto da faculdade, pro trabalho, volto pra minha vida.

Boa tarde.

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