
"O essencial era desvencilhar-se da face antiga com a naturalidade da lagarta na metamorfose. A metamorfose! Livrar-se do casulo, romper aquele tecido de vivos e mortos, fugir! Por que ser fiel consigo mesmo se nada permanecia? Nada. "Antes de tudo, destruir os hábitos - decidiu mergulhando a ponta da língua no conhaque. - Por exemplo, deixar de amar Conrado e amar outro imediatamente. Letícia mesmo, por que não?" Encarou-a. E teve um risinho. "Estou ficando bêbada."
(Lygia Fagundes Teles)
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