Ando sem vontade de escrever, será que vai ser como antes?
Talvez isso seja um hábito que tem que ser mantido, alimentado de alguma forma, e se me faz tão bem, talvez deva voltar um pouco mais de atenção à ele.
São 17h15, hoje é sexta. Já fiz o manual de identidade visual da logomarca selecionada pela equipe, e agora é só esperar o Secretário dar o último veredito. Já fui na casa da Edna pela manhã pegar blusa emprestada, decidi combiná-la com aquele sapato vermelho, fiz as unhas sorrateiramente por baixo da minha mesa enquanto o pessoal da divisão se reunia, enfim, ta tudo encaminhado. Hoje a noite tem churrasco, e não nego minha ansiedade.
Eu tenho essa mania chata de pensar que a vida tem a mesma dinâmica que a ficção, penso que as injustiças são recompensadas... que nada, a realidade é pura e simples, a única coisa que eu quero é ficar o mais gata possível e recuperar o orgulho que por acaso deixei naquela janelinha de conversa do facebook. Só não sei ao certo como.
Aí vale tudo né, se é pra alimentar minhas fantasias. Vale passar a semana baixando músicas pra ouvir no carro no caminho, vale responder um "não sei" no evento pra fazer mistério, mesmo sabendo que ia antes mesmo de ser convidada, vale chamar aquele primo de amiga que quer me conhecer pra uma possível causa de ciúmes... vergonha eu tenho de pensar, imagine de escrever kkkkkkkkk mas escrevendo me sinto como num confessionário, é preciso sinceridade, mesmo que a verdade seja vergonhosa.
Mas sim, ele roubou o foco dos meus pensamentos.
É... aquela luz apontada pra um personagem, aquilo que eu tenho dentro de mim sempre, só mudando o alvo, pra matar um pouco o tédio.
Eu fico pensando nele, ele me deixa nervosa. Ele online, ele sentado ali na outra fileira, ele chegando com o violão nas costas, ele atrás de mim me olhando no vídeo... ele, meu Deus, já estou me referindo a ele como "ele", você entende a tensão?
Identifica, mais do que qualquer paixão, o meu hábito nocivo de me atrair por tudo que me rejeita? Ta, ele não me rejeitou, ele me subestimou, me desrespeitou, como flertinho que seja, como amiga, como mulher. Me julgou por outra pessoa, então cara, na verdade aquele ali nunca saiu comigo. Ele saiu com outra Jéssica, a Jéssica que pensa que eu sou. Por isso ele a chame pra aquele lugar, e aí no fim da história tará o que merece... pessoa alguma.
Hoje estou complexa, li Gabito Nunes, li o blog da Mariana e mais... conversei com ela e tive a oportunidade de sair dos papos e mesmisses... ela é especial. A gente consegue transformar uma conversa que podia ser: "oi, saudade, novidades?", em uma filosofia profunda sobre decisões e juventude. Pois é...
To viajando entre tudo e tudo que falar vou deixar bonito, e aparentemente importante. O que eu to falando?
Não faço idéia! kkkkk Agora já são 17h41 e o churrasco se aproxima. Será que eu já posso pedir ao destino pra esquecer que penso em todas as possibilidades de acontecimentos mirabolantes, e também os óbvios, e me surpreender de alguma forma? Será que, se possível, essa surpresa poderia ser boa? Não... destino, te conheço, sei que não tem muita simpatia por mim.
Não te culpo, também odeio quem adivinha meus passos antes que eu possa fazê-lo. Mas aí, eu tenho vontade de provar pra esse intrometido que eu sou criativa... Você podia mesmo me imitar.
Com medo da minha cabeça, eu vou me despedindo.
Vou aqui arrumar as minhas coisas, colocar a vasilhinha da marmita na bolsa, separar o dinheiro do integração, que hoje quero chegar cedo em casa.
Quero me arrumar ouvindo música, quero passar óleo de pele, tirar as sombrancelhas e gastar 10 minutos no rímel.
Hoje eu vou me preparar pra uma noite especial, vamos ver se a vida também se empolga e faz essa produção toda valer a pena.
Boa noite!
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