quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cabeça vazia...

Fake Plastic Tree by Radiohead on Grooveshark

Aí eu chego na igreja pra pegar o carro com meus pais e voltar pra casa e lá dentro está ele, encostado na  parte interna da porta com a mão tapando os olhos, virado para o altar, e assim permanece por minutos. Eu parada com a bolsa na mão sem saber muito bem o que sentir, vou ao banheiro lavar o rosto, respirar, sei lá. Já imaginava que o veria, afinal é dia da sua celebração, não faz sentido me surpreender.

Mãos apoiadas na pia, olhos no espelho: "será que ele me viu pelos vidros laterais enquanto passava?", não, não da pra saber. Volto pra pracinha, agora a missa já acabou, vejo meus pais, os comprimento, converso um pouco com eles, pego a chave do carro e nem olho para os lados pra não correr o risco de reconhecer alguém, vou pra casa.

No caminho nada específico pra pensar, nenhuma linha de raciocínio, apenas uma sensação ruim e aperto no peito. Chego em casa, desligo o carro, os faróis, o som, e parada na frente do volante, no escuro das luzes apagadas e casa vazia, começo a chorar e chorar e chorar e chorar... e chorar mais.

E por que machucou tanto? Ele tava simplesmente na missa, refletindo sobre a vida como qualquer pessoa ali, mas não, machucou demais, me veio que talvez ele seja sim uma pessoa boa, um cara legal, o problema disso tudo sou eu. Não eu no sentido de ter feito algo de errado, claro que não, é que ele simplesmente não queria nada comigo, como todos não quiseram. Antes que você comece a brigar eu digo, sei que é errado definir padrões entre todos os caras que me envolvi até hoje como se eles tivessem alguma coisa a ver uns com os outros... sei que essa mania não me leva a lugar nenhum e que essa teoria é furada, e mesmo sabendo que não tenho nada a ver com isso, mesmo com tudo, lá estava eu me martirizando. Aqui estou eu me martirizando, escrevendo o mesmo post de sempre, só que com palavras diferentes.

Aquela vontade louca de ir lá perguntar se ele estava bem, alguma coisa aqui dentro dizia que não estava, e eu queria ajudar, ou só queria me aproximar e parecia a desculpa perfeita, ENFIM, não importa o motivo, só queria saber. Mas o orgulho (ou o amor próprio né? Se é que ele existe) foi maior e me abstive a rezar por ele nas minhas conversas com Maria.

Tanto faz tudo isso, tudinho, afinal não gosto dele, é claro. Não estou apaixonada por ele, obviamente. Temos que concordar nisso né? NÉ? Obrigada! Então é só esperar o tempo passar e fim, tanto faz se ele falou comigo no facebook e depois falou: "opa foi mal" como quem erra a janela (por que eu não digo simplesmente que ele errou a janela, mas não, eu tenho que dar margem a essa expectativa que o "engano" foi desculpa pra começar uma conversa), e eu só respondi um "kkkkkk de boa".

É melhor assim, eu aqui escrevendo tudo que convenceria qualquer um de que sou completamente apaixonada por esse menino (no sentido literal da palavra). É melhor morrer e renascer 10 vezes por segundo, internamente, do que tomar qualquer atitude que possa ser mal interpretada. Deixa a história de verdade morrer, tanto faz a que eu invento. A que eu invento passa no minuto que algo novo acontecer, com qualquer pessoa. A de verdade ta morrendo com o tempo natural da vida, ou, quem sabe, a real nunca existiu... O que importa é que, entre trancos e barrancos o meu orgulho vai se restituindo. Preciso do meu orgulho pra não perder a estribeira.

Falando em orgulho, lembro daquela frase que me marcou quando estava lendo Orgulho e Preconceito:
"Eu perdoaria tranquilamente seu orgulho, se ele não tivesse ferido o meu."

Boa noite!

Um comentário:

  1. caraca, deu vontade de chorar! Ainda mais com essa música, garota!

    Olha, se tem vontade de falar, fale. Se deu vontade de saber como está, saiba! Se tem vontade de ajudar, ajude!
    Orgulho não leva ninguém a nada, só nos destrói!
    Já fui muito mal interpretada quando visitava, quando falava, quando ligava, e ele nem aí pra mim! Danem-se. Eu quis e eu fiz! Fiquei com raiva de mim várias vezes tbm, pq ele não respondeu da forma que eu esperava, do jeito que eu queria! Mas se eu não tivesse dado o 'oi', se não tivesse ido em vários domingos visitá-lo com a desculpa de que queria ver a família dele... estaria até hoje me perguntando se não seria diferente se eu tivesse puxado a conversa ou se tivesse ido almoçar com eles!!
    Eu sei, eu seeeei de tudo que ele fez com vc, e se pensarmos nessa parte, ele não merece a mínima consideração! Mas quem somos nós pra dizer se ele merece ou não! Se em plena quinta-feira, dia de Adoração, ele tava na missa... ele que fugiu tantas vezes dela, porque eu sei, porque ele me contou! Ele que tantas vezes teve dificuldade de obedecer na época que precisava ir à missa diariamente... então, talvez ele estava lá ontem porque precisava mesmo! Porque sempre precisamos... Talvez ele precisasse colocar a cabeça no lugar das atitudes que teve... talvez, talvez, talvez. Enfim! Se Deus toca seu coração para conversar, não deixa o orgulho te dominar! Temos que amar a Deus através do próximo, e que seja o próximo àquele que nos fez mal e que feriu nosso orgulho. Porque é muito fácil, tantas vezes , amar aquele que nos faz bem e já nos ama!

    Se cuida.

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