
São 01h14 e se todo dia termina com uma moral da história, a minha foi em relação ao apego.
Estava cá eu apoiada num pé só - afinal meu dedão ta quebrado/luxado/destroncado(?) - secando os pratos e olhando a janela da cozinha naquele silêncio que paira quando estou sozinha em casa. Pensei: se eu pudesse tirar algo específico da minha vida, este seria o apego.
Ainda to surpresa com algo que falei agora pouco no telefone, ainda sinto medo. Será que é mesmo verdade aquela história de que "o que é pra ser seu, será seu um dia?", eu posso mesmo confiar nisso?
Todas as vezes que me apoiei na providência me senti caindo num eterno buraco negro, me senti totalmente desconfortável porque eu preciso fazer as coisas acontecerem. Não dá pra esperar, a hora é agora, não é?
Mas assim como me lembro do desconforto, lembro de como tudo terminou bem. Minha mãe, linda e saudável, ta aí pra me provar isso.
A um bom tempo fico manipulando a situação. Eu quero essa coisa, aí eu paro e deixo-a ali, na minha frente. Todo mundo que tenta pegar, eu afasto. Digo: olha, isso é meu! Eu não posso ter, nunca vou poder, mas é o que eu quero e tem muitas outras coisas, pra você querer logo essa, tira o olho!
Mas que sentido há nisso?
Se é o melhor, por que eu to infeliz?
Meu coração fica apertado, parece que não vou saber lidar com a visão desta coisa nas mãos de outra pessoa que não seja eu. Parece que to vendo o remédio pra minha dor, o ingrediente raro que falta pra minha receita, simplesmente sendo usado e eu de mãos atadas.
Isso é no mínimo injusto. Queria poder voltar no tempo. Quer dizer, queria nada, quanta besteira eu to dizendo...
Só queria... só queria sei lá... o que eu queria?
Queria querer menos, isso, QUERER MENOS.
Uma imagem frequente que me vêm à mente esses últimos tempos é de, numa dessas cidades que eu viajo no início do ano, eu acorde daquele cochilo de depois do almoço, coloque um biquine, um short jeans, pegue a chave do carro, meu rayban, e vá dirigindo até a praia, mais especificamente a praia de Nova Viçosa. Aí eu tiro o chinelo, caminho e sento na areia e fico olhando o mar até o Sol se por. Sozinha, sem foto, sem internet, sem conversa, sem música. Só eu, ali, ouvindo o som das ondas quebrando, uma atrás da outra, e vendo que sou eu, eu que importo. O que eu escolho fazer, o que eu quero pensar. Eu e Deus, que tá a minha volta em tudo que ele criou.
Penso nisso e me dá paz.
Penso nisso e desejo que o ano passe mais rápido.
Enfim. Essa sou eu viajando dentro da minha cabeça 02:02. Dormir seria uma boa, amanhã vou ao hospital ver o que se fará do meu pobre dedão (mais dedão do que nunca kkkkkkkkk tsc tsc, péssima).
Chega! Boa noite :)
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