terça-feira, 26 de abril de 2011

Diálogos mentais

Olha, eu realmente espero que ainda exista aquela amizade entre nós, que a gente possa ficar deitada na cama falando besteira uma com o pé na cara da outra, ou você no sofá da sala e eu estirada no tapete olhando pro teto e rindo como se não houvesse nada de errado no mundo.

Eu espero que possa encontrar algum olhar descompromissado no seu rosto, ao invéz de acusações e cobranças, que não tenham mágoas que cicatrizaram, e sim aqueles arranhõesinhos que saram naturalmente em um ou dois dias, sem precisar de remédio, porque eu não tenho remédio pra te dar.

Eu não tenho sentimento de culpa por nada, sei que se o tempo voltasse eu sumiria de novo, porque precisei disso. Espero que o tempo não tenha feito com a gente o que faz com todos os outros, crie uma distância irrevogável.

Olha minha amiga, eu realmente espero que ainda tenha volta pro amor gigante que existiu entre a gente desde o princípio, pois se não existir e você precisar ir embora, eu vou ficar incompleta, mas quantas vezes perdemos pessoas que levam um dedo, um braço ou uma perna da gente? Nos fazem mancar e sangrar por dias, meses, mas pra essas perdas o tempo vem a tona novamente e cumpre sua função de curar as feridas, e ele vai curar, consequentemente, eu vou viver, porque não preciso de você pra viver, muito menos você precisa de mim.

Mas a questão não é essa, a questão é que não quero que o tempo cure nada, não quero partes novas no meu corpo, não quero viver sem suas palavras ácidas e sua voz desanimada, gemida e irritante no telefone de manhã, seu desânimo quando a gente te convida pra sair, suas unhas cumpridas, seu complexo de pseudo anoréxica e tudo mais que vier no pacote. Mas acho que isso não depende só de mim... que seja, deixa as coisas acontecerem.

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