sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Marcas

Será que meu destino é ter eternamente essa marca? Essa tristeza indolor, invisível, que bate na porta do meu quarto numa sexta a noite e encharca meu rosto de lágrimas em tudo que é lado?

Porque me vejo parada olhando seu retrato, retrato de sei lá quem, só sinto dor, dor, dor. E de repente o mundo todo se cala a minha volta, fico surda ás vozes amigas, fico cega perante as mãos estendidas em minha direção me convidando a sair do buraco, não quero sair do buraco, quero ficar nele encolhida, porque sei que são raras as vezes que aquele lado otimista nemlembromais, tenhoqueserfeliz, tenhoqueseguiravida, souforteefoda, umamulherdecidida e issonãovaimeabalar, eumeamoemprimeirolugar... cansa.

Eu to bem sozinha, juro por tudo, eu to bem. Mas essa tristeza estranha é maior do que todas que já senti, porque ela não vai embora. Uma vez ou outra faz um visita só pra marcar território, olhar bem pra minha cara e falar: to aqui ainda viu, sem previsões de partida.

E eu vejo tudo que poderia ser se não fosse assim, se a vida resolvesse ser no mínimo normal, como qualquer outra pessoa, como qualquer outra relação. E vejo uma porção de gente, e palavras, e fotos... e vai faltando o ar. Fecho tudo e vou deitar, ou ver tv ou ler, e ignorar tudo porque tudo é mentira, relacionamentos só são uma forma de te aprisionar a alguém, dar o controle da sua paz na mão dela pra usar como bem quiser, e eu juro de coração, não quero um relacionamento na minha vida, não quero mais isso e não sei quando vou voltar a querer, essa angústia tem outro nome, e eu não descobri ainda o porquê, apesar de saber a causa inicial.

Enfim... tanto faz tudo isso. Boa noite.

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