
Hoje, como em todos os dias, acordei e me arrumei pra ir pro trabalho. Já vestida, maquiada, só jogada na cama esperando 5 minutinhos pra dar coragem de ir pra estação, comecei uma conversa boa com a minha mãe e meu irmão, tão boa mais tão boa que parei e falei, hoje vou usar minha folga daquelas sextas/sábados que trabalhei, me passa o celular pra ligar pro meu chefe ai!
Liguei, e pra que? Pra ficar na minha casa simplesmente curtindo o Sol de meio dia aqui. Não sei porque, o prazer que isso me proporciona hoje não tem explicação.
Antes de começar o estágio, ficava todo dia a tarde toda atoa, sempre reclamando de tédio, reclamando de não ter nada pra fazer, gastando a tarde toda na frente do computador num ciclo vicioso entre orkut, twitter, facebook, formspring, orkut, twitter, facebook, formspring... Fizesse chuva ou Sol, frio ou calor, nada me tirava dessa cadeira.
Agora quando to indo, a vontade é de ficar, e aí aquela velha frase que meu irmão (coitado) tem que ouvir todos os dias quando estamos indo pro carro. "Queria tanto ficar em casa hoje e comer a comida da minha mãe...". As vezes sai automático.
Agora quando chove por exemplo, e olho pra aquela vidraça da minha sala, penso: Como queria estar em casa debaixo da coberta vendo filminho.... Se faz calor: "Nooooossa, como eu queria pular numa piscina agora, olha esse tempo, olha esse céu que lindo, bom pra caminhar no parque". Isso é muito cômico, porque se eu tivesse em casa, não estaria fazendo nada disso, estaria onde? Na internet. Fazendo o que? Nada (de interessante).
Como nós seres humanos somos contraditórios, graças a Deus, Deus não atende tudo que pedimos! kkkkkkkk Se ele atendesse, nada duraria mais que 5 minutos. Mudariamos o tempo todo em busca de algo novo, pois só o novo, difícil ou até inatingível, nos desperta a real satisfação.
Você quer chuva, quando chove quer Sol. Você quer namorar, quando namora sente saudade de ser solteiro. Se mata pra ir num show, pra chegar lá, e depois de um tempinho, imaginar com muito amor a sua cama, seu travesseiro com um lençol recém trocado e aquela coberta que sabe a temperatura exata que seu corpo precisa. Vai entender.
No fim de tudo, posso definir o dia de hoje no mínimo como especial. A tarde sentada na bancada fazendo mais e mais cartões de Natal com milhões de papéis espalhados, com as cortinas fechadas e tudo escurinho na sala, meu pai, meu irmão vendo deitados, e minha mãezinha fazendo café e optando sobre qual cor de papel e fita deveria usar, ou pra quem seria. Família, aconchego e tranqüilidade.
Bem? Tranqüila, essa é sempre minha resposta. Pelo menos não to mal mais. Aos poucos a tranquilidade vai se tornando tão grande, mas tão grande, que se torna bem-estar. E a felicidade vem, tenho fé, assim que eu estiver preparada. Quando a tinta das paredes, os rejuntes da cerâmica, tudo, tudo estiver seco e pronto pra receber presenças novas que habitem minha vida.
Boa noite pra quem ama.
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