sábado, 9 de junho de 2012

Chilique.

To muito infeliz hoje, tinha começado um texto engraçadinho mas fui almoçar e já mudei de humor, TPM dos infernos. Acordei odiando acordar, odiando meu corpo, meu cabelo, meu cartão que sumiu, meu celular que não toca, minha solidão que nunca passa, meu vazio que nunca é preenchido... mas principalmente, acordei odiando o fato de que por mais que eu tenha tudo que desejo, por mais que eu tenha uma vida que não me permita, nem em sonho, reclamar, por mais que eu esteja constantemente dentro da igreja, não tenho fé alguma. Não tenho saco pra falar e falar sobre o que sei que no fundo, não acredito. 

Preciso ser menos afetiva, menos egoísta e vaidosa, preciso entregar minha vida nas mãos de Deus e esperar que ele haja da sua forma, acreditando que esse é o melhor, preciso aceitar que minha recompensa não é aqui, mas não dá. Respirar precisa ter um motivo pra mim, sofrer é sofrido demais pra que eu possa olhar com bons olhos, e quanto mais eu tento ser uma pessoa melhor, mais me encontro caindo nos mesmos buracos. Que sentido faz isso?

Não sei. Deus, perdoe minhas palavras, minhas ações... mas principalmente meus pensamentos. Te amo, acredito que você é minha única chance, e te digo, te olhando e sendo o mais sincera que consigo ser, tudo que eu queria era ser uma boa filha, ser uma dessas pessoas que fazem a diferença e vivem com caridade. Mas está além de mim. Te olho mas minha visão periférica enxerga a tempestade que ta rolando, ela vê que é impossível que eu caminhe ali se não tem solo firme. E eu vou afundando e afundando, por medo, por ver que é impossível e é isso e pronto... mas esse é o desenvolvimento, jajá chega a conclusão, aquela parte em que eu digo: sei que você é maior que todos os "não dá's" e "isso é impossível" que eu disse nesse texto. E assim, por um segundo o coração se acalma porque penso que acredito, mas EAI? O que justifica essa angústia? Não vai passar, NÃO VAI! Nenhuma palavra adianta, nem justificativa, conselho, não vai! 

São todos momentos passageiros, contradições, minhas, dos outros, da vida... é sempre assim. Não acredito em sempre, mas acaba por ser a única definição que faz sentido. Talvez seja isso né, você, sua palavra em minha vida, elas existem, elas são a verdade, mas não há consolo, não há pra onde correr, a realidade é essa e pronto. Acredito mas não aceito, só me resta a insatisfação de meus caprichos sendo constantemente contrariados.

Sou uma criança que só quer aquele brinquedo da vitrine, e fica berrando e berrando sem ligar pra quão injusto e vergonhoso é agir assim, só quero o brinquedo e quero e quero e quero, não vou parar de chorar até conseguir. Mas como parar de choramingar durante o processo? Esse tempo até saber se vai demorar até que encoste minhas mãos nele e desfrute a satisfação de te-lo ganhado, ou se, rezo pra que não seja assim, não vai acabar a espera, se não esteja escrito que vou de fato conseguir o presente.

Não importa, nada me motiva a levantar do meu chilique, segurar a mão do meu pai e voltar pra casa, talvez eu precise levar uns tapas pra levantar e parar com isso.