Acabo de chegar do tal churrasco com todas aquelas pessoas que por tempos vinha evitando.
Ele estava lá, tão bem... tão extrovertido, dançante,
falante. Senti no ar: me esqueceu. Não estava mais daquele jeito acanhanhoalincantodisfançandoencaradas.
Não, ele continua magrinho, com aquela cara de adolescente mas agora tem algo diferente, agora, eu sou só mais uma conhecida da festa.
Se ainda sinto não sei, só dói ver que não tem mais, ele
não está mais ali por mim. E o que sou eu sem minhas garantias?
De uma forma muito egoísta me alimento do sentimento daqueles seres incompreendidos que resolvem nutrir algum sentimento por mim. Minha insegurança é tamanha que saber que
se sou o fruto da admiração dessas pessoas, tenho algo especial, por mais que
não acredite nisso.
Foda-se, ele não me olha mais de rabo de olho. Por que fui
dizer: Tchau, se cuida viu? Saudade de você... SAUDADE DE VOCÊ? PORRA JÉSSICA! A
nem...
Teve aquela hora que fui obrigada a sair pra chorar, sentada
no chão atrás de um carro qualquer no fim do condomínio. Chegou a hora das
fotos atrás da mesa depois do parabéns, os amigos... quem estou querendo enganar,
não faço mais parte disso.
Quem estou querendo enganar, não superei, nem faço idéia de
quando isso vai acontecer.
Quando me dei conta, já eram 20h40 e eu lá, bêbada com mil
coisas na cabeça e o coração na mão.
Quero arrancar... aqui... do coração... da memória... tudo...
tudo isso que me corrói...
Quero pegar o passado e jogar na lata do lixo...Não, nem sei
se seria melhor. O que teria pra pensar amanhã se não o passado?
As vacas estão magras, e o meus maiores prazeres atuais são
o chocolate e a cerveja do fim de semana. Ninguém pode passar isso por mim...
eu sou do tipo dramática e instável... não me julgue... não tenho estrutura
emocional pra existir.
Agora já são 22h15, amanhã tem Andarilhos. Se eu tomo um
banho, e o energético permitir que eu deite e pegue no sono, me restam algumas
horas. Será que com um Dramin eu durmo?
Preciso parar de existir por um momento.
Os problemas são grandes, não há nada que eu possa fazer. As
lágrimas não querem sair, o silêncio é uma merda e ninguém tem na da a ver com
isso. Não sei o que vem aí, no futuro. Tenho coisa de mais guardada, de mais
exposta, de mais querendo acontecer. Não encontrei meu consolo e pra falar a
verdade, nem sei o que quero.
Quero paz, eu acho... queria só alguém pra me olhar de
frente e gostar do que vê, já que nada no mundo me faz sentir isso sozinha, mas
não sei nem o que to dizendo.
Só dói. Dói tanto... e eu não quero acordar amanhã. Não
quero consolo... não quero nada, e não mereço Deus. Não consigo mais... vou
deitar... me deixa, me deixa que eu me resolvo.