Depois de muito guardar bem fundo no coração acho que chegou a hora de escrever um pouco sobre as dores.
Nessa rotina de recém formada/desempregada/perdida/sem grana tenho ficado muito tempo em casa, vendo um filme aqui, fazendo serviços domésticos lá, checando redes sociais e passando todo tempo possível com o namorado. Nunca tinha notado que praticamente 99% dos programas requerem dinheiro, "que saudade, vamos marcar algo?", comer um sushi? tomar uma cerveja? ir ao cinema? Até os programas caseiros exigem a vaquinha dos comes e bebes e na situação atual isso se torna praticamente impossível pra mim.
Enfim, o tempo livre, como já falei tantas outras vezes, me estimula a fazer o que faço melhor: me sabotar. Pego aqueles sentimentos e lembranças ruins que tavam lááá longe, e trago pro agora. Fiz isso ontem enquanto secava as louças... veio um soco no peito e as lágrimas saíram na hora, parecia que tinha acabado de acontecer.
Fui traída. Faz tempo, mas dói hoje. Doeu ontem, anteontem... desde o dia que descobri. Ou melhor, desde o dia em que desconfiei. Dói tanto... parece que vou morrer. Parece que algo em mim morreu, não só pra relação, mas no meu íntimo mesmo.
Se eu fosse nomear os sentimentos seria primeiramente muita impotência, impotência pelo que sofri sem poder evitar - evitar não me relacionando? não me apaixonando? não me doando? não vejo uma maneira de evitar além de não estar viva - impotência por querer retirar os outros sentimentos ruins dentro de mim e não conseguir, impotência por não poder conter as lembranças de detalhes que me vêm quando vejo algo que me remeta ao ocorrido... Raiva, autoproteção, ódio.Vergonha, muita vergonha... Tristeza, decepção... com ele, com a vida, com as pessoas e seus egoísmos, com a banalização dos relacionamentos, com o respeito ausente, com a falta de caridade.
Depois de tanta coisa que aconteceu, decidi tentar superar e prosseguir com meu relacionamento, tentar tirar algo de bom dessa experiência, mesmo que isso pareça impossível. O vejo também a todo momento tentando fazer a coisa certa, inúmeras foram as demonstrações de arrependimento, as mudanças de atitude. Mas não tem um dia que eu não lembre, não tem um dia que eu não me pergunte se a dor vai passar, se isso não vai se repetir um dia... não tem um dia que no meio do amor eu sinta raiva ao olhar seus olhos, ou que me pergunte se a relação vai dar certo. Se vale a pena.
Não quero ser a pessoa que joga fora no primeiro defeito, to disposta a concertar rachaduras, polir o que ta sem brilho, levar no mecânico, benzedeira, padre... Mas tem defeito que invalida e não tem nada mais que possa concertar, não quero ficar tentando remendar esse tipo de coisa, sabe? Só Deus pode me ajudar.
Mas o que dói mais de tudo é a solidão. Nada nem ninguém pode vir aqui e pegar metade. Por muito tempo guardei sozinha essa dor, me fez bem quando decidi compartilhar com alguns amigos, mas nada ameniza.
Peço a Deus que me ajude a segurar minha cruz, meus sofrimentos. Peço a Deus pra me ajudar a ser alguém melhor, me dar o dom do perdão, que descubro todos os dias que por minhas forças é algo impossível. Peço a Deus discernimento de fazer as escolhas certas, e quando não conseguir, que ele arranque pela raiz e jogue bem longe da minha vida o que não é verdadeiro e me dê força pra superar o fracasso do meu projeto de futuro.
No mais to indo, tentando fazer minha parte. Cursinho chegando e quem sabe uma possibilidade que nunca cogitei seja o lugar que Deus reservou pra mim, apesar de tudo confio piamente nisso, o melhor está reservado. Ta aí, confesso que me sinto melhor agora que escrevi, valeu a pena. :)

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