quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Envelope

Lover, You Should've Come Over by Jeff Buckley on Grooveshark

Já posso pensar no vestido?

Acho que sim. Por que não poderia?

Agorinha vi algo do Carpinejar que dizia: "Não sei lidar bem com a expectativa, mas também não sei viver sem ela.". Nem sei explicar em quantos níveis me identifiquei com essa frase.
A expectativa me mata, mas não sei viver assim... nas horas desse dia, na +- noção do amanhã. Não sei viver de fatos. Então me deixa sonhar, por favor!

Hoje enfrentei o dia inteiro em casa, sem eletricidade, só com a música do celular e um cobertor velho. Diante da realidade arroz com feijão, deitei minha cabeça sobre o travesseiro, fechei os olhos e lá estava eu sentada na bancada da cozinha recebendo um envelope pardo, de Minas.
Abri aquele envelope e, meu Deus, dentro dele estava um convite de formatura, convite pro baile, o baile dele! Sim, dele mesmo.
Junto ao convite, uma passagem pra Uberlândia e um bilhete. Algo como: "esse dia não seria completo sem você nele, me acompanha?"
Daí já me vi chorando abraçando o convite, correndo atrás do vestido de gala, pela ansiedade com certeza perderia uns bons quilos, perfeito! rs. Arrumei as malas, já estou na poltrona do ônibus com os fones de ouvido e os olhos grudados na janela. Cheguei. Olha você ali encostado no muro, como você tá lindo! Veio me buscar, pegou as malas e levou pro carro perguntando como tinha sido o percurso.
Daí já estamos chegando naquele hotel, aquele que fiquei na peregrinação, aquele do qual te vi através do vidro (isso me lembra uma música daquela banda que você me passou um dia, sempre lembro de você escutando-a, "Through Glass", que ironia!) sim, não quis ficar na sua casa, nada a ver né? Vou ficar no hotel, você me ajudou com as malas, me deu um beijo e foi embora, cada um no seu espaço.

Daí já pulo pra parte que mais me queima por dentro, me arrumei, estou deslumbrante, dessa vez pra você. Desci pra recepção, você... ali... de terno... esperando por mim. Me olhando admirado, quem sabe te vendo me olhar assim eu não consiga sentir um pouquinho da reciprocidade que sempre esperei.
De resto, me vejo chegando com você ao baile, de mãos dadas. Finalmente conhecendo seus pais, primos, tios, amigos. Finalmente... dançando com você, conversando, bebendo. Sem pressa, é nosso momento.

Aqui estou ouvindo Jeff Buckley, um video que une todo o album que ele gravou antes de morrer. As músicas passam, oscilam, e eu não sei se rio ou se choro! kkkkkk Rio da minha própria loucura.
Eu invento você... você não existe.

Essas invenções não tem me machucado. De tão impossíveis elas me servem como um momento de fuga da realidade. Como um filme bom... uma história bonita. Essa história eu posso incrementar com o que eu quiser, o tom, o gesto, o arranjo da mesa, tudo ao meu gosto.
Só me machuca pensar que eu posso ter feito isso com mais coisas na minha vida. Que todos esses anos também tenham sido criação minha. Que no fundo você tenha vivido todos os dias, e eu tenha sido uma lembrança corriqueira dos tempos de Brasília, ou "a menina que gostou de mim, quando eu precisar de um pouco de atenção ela estará lá pra me confortar, me passar a sensação de que alguém nesse mundo me ama e me admira, nunca estarei sozinho."

Essa segunda parte do post eu ignoro, estou bem, isso é coisa do Jeff me confundindo kkkkkk

Minhas cenas criadas ainda vão salvar muitas horas de tédio. Ainda vou meticular a dança do baile, as conversas com sua mãe, as conversas na volta do baile, o almoço do dia seguinte na sua casa, o passeio pra conhecer a cidade, a despedida na frente do ônibus de volta... Ih... é daí pra pior :P

Férias, meu bem. Tenho as horas do dia todas pra mim, de começo, escolho o travesseiro velho :) Vejamos o que será do resto.

Boa noite!

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