domingo, 12 de agosto de 2012

Colo

De novo você cuidando de mim, como a tanto tempo. 
Aquele tempo lá atrás, em que uma das poucas certezas que eu tinha era de que gostava de mim, daquele seu jeito torto, mas gostava de verdade.
Agora não. É estranho te ver tão solto conversando com as outras na minha frente, dançando, sorrindo... Viro o rosto, bebo, corro de onde estiver. Me incomoda profundamente perceber que já não te tenho mais nas mãos. Cada dia mais homem e mais bonito. Não mais... meu.
Mas sim, ali no banco de trás do carro recostada em seu ombro, tenho que assumir nem estava tão bêbada assim, só queria saber se você ainda cuidaria de mim. Buscava um gesto qualquer que partisse da liberdade que minha inconsciência lhe permitia.
Mais os minutos foram passando e de fato bebi mais do que deveria, fui ficando cada vez mais tonta e vulnerável, a encenação virou verdade e você fez o que? Cuidou de mim. A bêbada chata querendo sair do carro, pra do lado de fora ficar tremendo de frio. Será que até meu inconsciente queria seu abraço? 
Provavelmente.
Provavelmente é carência, mas vou chamar de carinho.
Eu não gosto mais de você, acho que nem você de mim. Mas existe aqui dentro algo muito grande, muitas coisas boas envolvidas. Você é especial, apenas. Morro de medo de te perder, me pélo. Cê tem noção que foi o primeiro cara pelo qual já me senti amada? Pois é, me entenda.

Em um mundo sem preocupações, sem esse medo do futuro, eu juro que até me mexeria. Até ignoraria suas grosserias desnecessárias. Esqueceria seu desajuste e não romantismo e ficaria com a parte que você é um cara honesto. Lembraria daquele que eu via tratar com muito carinho minhas amigas, com muito respeito, mesmo que não conseguisse ser assim comigo. Mas é complicado.

De qualquer forma vou me deixar tomar pela lembrança do seu cólo, e imaginar se também estou no seu pensamento agora.

Boa noite.