"– Telefonei pra você ontem, não sei se você viu.– Vi. Depois. Eu estava no cinema.– Foi no cinema sem mim?– Sim. Fui.– Você está estranho. Quer dizer, você é sempre estranho. Só estou estranhando suas novas estranhezas.– É. Eu sei. Eu só queria dar um tempo. Eu acho. Sei lá.– O que há? Pensei que tivéssemos um acordo sobre as sextas-feiras. Você poderia ter me convidado. Eu iria junto contigo.– Seria constrangedor.– Por quê? O que você viu? Algo pornográfico?– Um filme norte-americano boboca. Sobre amor. Tinha a Anne Hathaway. Aquela coisa, garoto-encontra-garota e após algumas resistências e desencontros, eles ficam juntos no final. Só havia casais e eu na sessão.– Aeroportos envolvidos?– Sim. Sempre.– Nossa, constrangedor, realmente. Bom que você não me chamou. Eu não sairia viva. Você sabe, eu morro de tédio com essas histórias. Sou uma amor-ateísta. Praticante, militante e xiita. Uma mulher-bomba sem coração.– É, eu sei. Por isso fui sozinho.– Impressão minha ou você anda meio sentimental?– Não sei se é a palavra. Ando querendo me apaixonar de novo. Estou fazendo alguns laboratórios.– E eu estou atravancando seu caminho.– Eu não disse isso.– Mas deve estar pensando. Sempre deixei claro pra não contar comigo quando o assunto é... você sabe.– Sei. Sabe, ontem, ao sair da sala no fim do filme, fiquei cuidando aqueles casais amarrados indo pra casa juntos ou saindo pra comer alguma coisa. Se você parar pra pensar, deixar o ceticismo de lado, é a coisa mais bonita quando duas pessoas resolvem viver uma para a outra. Justamente porque é o mais difícil de ser feito. Somos cínicos a respeito da condição deles, mas acho que quem está na zona de conforto somos nós.– Preciso de um sal de frutas. Brincadeira. Eu espero, de coração, como sua amiga, que o amor aconteça com você. Um dia. Preferencialmente não até a próxima sexta-feira. Porque eu não tenho nada planejado ainda.– E se o amor não for uma coisa que aconteça com a gente?– Como assim?– E se o amor for uma coisa que a gente deixa acontecer?– Ah, entendi. Bem, tanto faz. Não quero deixá-lo acontecer e também não quero que ele aconteça comigo.– Bem, então não há muito que eu possa fazer. Não tenho saída com você.– Não. Não tem. Desculpa.– Tudo bem.– Falo sério. Eu sinto muito.– Sente o quê?– Culpa. Culpa por não sentir amor. Por não amar você. Me perdoa.– Tudo bem, eu já disse. Não precisa chorar, também. Você não tem do que se sentir culpada.– Você não disse se me perdoa ou não.– Claro que sim. Quem me machuca com a verdade merece todo meu perdão.– Obrigada. Me sinto mais aliviada.– Eu estou bem, de verdade.– Certo. Até sexta-feira então?– Hum. Não.– Não?– Vou ao cinema outra vez.– Com alguém?– Não. Sozinho.– Até quando?– Até eu encontrar alguém pra ir comigo.– Saquei. Até mais."
(Gabito Nunes)
Deixe-me continuar minhas coisas que hoje a correria ta grande :*
Caraca! Homem ou mulher, que já teve vontade de se apaixonar ou amar, com certeza já passou por isso!!! E quem não conseguiu amar, tbm!!
ResponderExcluirÉ, eu já passei por isso!
Por isso eu volto a dizer: eu prefiro um casaco!!!
Ps.: o tempo da múscia foi o tempo que levei pra ler o post! Isso foi premeditado, né? :P
Se cuida...