quinta-feira, 29 de março de 2012

Até quando?

If You Want Me by Glen Hansard & Markéta Irglová on Grooveshark

"– Telefonei pra você ontem, não sei se você viu.

– Vi. Depois. Eu estava no cinema.

– Foi no cinema sem mim?

– Sim. Fui.

– Você está estranho. Quer dizer, você é sempre estranho. Só estou estranhando suas novas estranhezas.

– É. Eu sei. Eu só queria dar um tempo. Eu acho. Sei lá.

– O que há? Pensei que tivéssemos um acordo sobre as sextas-feiras. Você poderia ter me convidado. Eu iria junto contigo.

– Seria constrangedor.

– Por quê? O que você viu? Algo pornográfico?

– Um filme norte-americano boboca. Sobre amor. Tinha a Anne Hathaway. Aquela coisa, garoto-encontra-garota e após algumas resistências e desencontros, eles ficam juntos no final. Só havia casais e eu na sessão.

– Aeroportos envolvidos?

– Sim. Sempre.

– Nossa, constrangedor, realmente. Bom que você não me chamou. Eu não sairia viva. Você sabe, eu morro de tédio com essas histórias. Sou uma amor-ateísta. Praticante, militante e xiita. Uma mulher-bomba sem coração.

– É, eu sei. Por isso fui sozinho.

– Impressão minha ou você anda meio sentimental?

– Não sei se é a palavra. Ando querendo me apaixonar de novo. Estou fazendo alguns laboratórios.

– E eu estou atravancando seu caminho.

– Eu não disse isso.

– Mas deve estar pensando. Sempre deixei claro pra não contar comigo quando o assunto é... você sabe.

– Sei. Sabe, ontem, ao sair da sala no fim do filme, fiquei cuidando aqueles casais amarrados indo pra casa juntos ou saindo pra comer alguma coisa. Se você parar pra pensar, deixar o ceticismo de lado, é a coisa mais bonita quando duas pessoas resolvem viver uma para a outra. Justamente porque é o mais difícil de ser feito. Somos cínicos a respeito da condição deles, mas acho que quem está na zona de conforto somos nós.

– Preciso de um sal de frutas. Brincadeira. Eu espero, de coração, como sua amiga, que o amor aconteça com você. Um dia. Preferencialmente não até a próxima sexta-feira. Porque eu não tenho nada planejado ainda.

– E se o amor não for uma coisa que aconteça com a gente?

– Como assim?

– E se o amor for uma coisa que a gente deixa acontecer?

– Ah, entendi. Bem, tanto faz. Não quero deixá-lo acontecer e também não quero que ele aconteça comigo.

– Bem, então não há muito que eu possa fazer. Não tenho saída com você.

– Não. Não tem. Desculpa.

– Tudo bem.

– Falo sério. Eu sinto muito.

– Sente o quê?

– Culpa. Culpa por não sentir amor. Por não amar você. Me perdoa.

– Tudo bem, eu já disse. Não precisa chorar, também. Você não tem do que se sentir culpada.

– Você não disse se me perdoa ou não.

– Claro que sim. Quem me machuca com a verdade merece todo meu perdão.

– Obrigada. Me sinto mais aliviada.

– Eu estou bem, de verdade.

– Certo. Até sexta-feira então?

– Hum. Não.

– Não?

– Vou ao cinema outra vez.

– Com alguém?

– Não. Sozinho.

– Até quando?

– Até eu encontrar alguém pra ir comigo.

– Saquei. Até mais."
(Gabito Nunes)

Aí pensei, talvez matar a carência não valha tanto assim. Talvez seja melhor tentar ser um pouco mais centrada, tentar sabe? Mesmo que 99% de mim não acredite que isso seja possível. Li esse texto do Gabito e refleti bastante... por que fazer isso? Fingir o causal, tapar o Sol com a peneira. Um beijo hoje, outro semana que vem, ou na outra... isso vai me satisfazer de verdade?

Deixe-me continuar minhas coisas que hoje a correria ta grande :*

Um comentário:

  1. Caraca! Homem ou mulher, que já teve vontade de se apaixonar ou amar, com certeza já passou por isso!!! E quem não conseguiu amar, tbm!!

    É, eu já passei por isso!
    Por isso eu volto a dizer: eu prefiro um casaco!!!




    Ps.: o tempo da múscia foi o tempo que levei pra ler o post! Isso foi premeditado, né? :P


    Se cuida...

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